20/01/2012

O fundo do poço

Qual é o tamanho do fundo do poço?
É um tamanho colosso!

Qual é a distância da boca ao fundo?
Um mundo, um mundo!

Estando no fundo eu me reconheço?
Do fim ao começo!

Se é tão escuro, que posso enxergar?
O que não se vê com o olhar!

Se grito bem alto, alguém me responde?
O eco – já sabes de onde!

E nas paredes, tem corda ou escada?
São lisas, vazias, sem nada!

Quem pode dizer se este poço existe?
Só gente ferida, sozinha e triste!

Grota do Junco, janeiro de 2012

23/10/2011

Sprachübung für Bernadette

Por dentro do coco é o oco,
Por fora do coco é o espaço.
No oco do coco tem água,
Contra fraqueza e cansaço.

Na casca do coco grudada,
A carne branquinha e doce
Adora virar cocada.

Tem tudo que é bom
A casca do coco:
Tem fibra castanha,
Tem cuia perfeita.

O pelo do coco é o cabelo
Que sempre vira capacho.
Pisado muito por cima,
Não liga de estar por baixo.

Viena, outubro de 2011

16/09/2011

Luz noturna

Luziam na grota os pontos azuis
Amarelos/azuis
Amarelos/azuis dos vaga-lumes

A lua crescente
Cortada ao meio
Meio círculo, meia lua

A lua cortada ao meio
Vaga-lumes circulando
Em pontinhos de luz

Amarelos/azuis
Amarelos/azuis

Grota do Junco, janeiro 2010
Ferramentas
Com as mãos ela amassa
A massa do pão
E sonha.

Com o sonho ela caça
A doçura do céu
E dança.

Com a dança ela ultrapassa
A dureza de ser
E descansa.

Viena, agosto de 2011

27/07/2011

Cada macaca no seu galho


Deitada na rede
E sonhando pra lua,
Conjuro uma imagem
Que deve ser sua.


Na sua galáxia
Tão distante e fria,
Ocupo um espaço
Na periferia.


Poeira de estrela,
Grãozinho de areia,
Seu sangue não corre
Nesta minha veia
E a música densa
Do seu universo
É forte demais
Pro meu pobre verso.
Grota do Junco, junho de 2010

13/07/2011

Fragilidade



A menina pisou no passeio,
Um carro dobrou a esquina.
O sinal estava no meio,
A moça tocou a buzina.


Esperta que era a menina,
Olhou pensou e parou.
A vida é bem pequenina,
Um sopro, um passo e acabou.

As frágeis precisam parar,
As fortes ocupam o espaço.
Só que de tanto apanhar,
As fracas se tornam de aço.


Cunha, março de 2011
Esperando
Aqui estou,
Esperando.

Acontece sempre,
Que fico assim
Esperando:

Que as pessoas me conheçam
Que o sinal se abra
Que o carro fique pronto
Que a amiga chegue
Que a verdade seja dita
Que a verdade seja não dita
Que me entendam
Que quem amo me ame
Que o banco abra
Que o dinheiro chegue
Que o sinal se feche
Que a alegria aconteça
Que eu finalmente, de tanto esperar,
Desapareça

Sampa, 06.11.2009

08/06/2011

Pernilonga picante



A pernilonga picou meu pescoço,
Dei tapa ligeiro, mas ela sumiu.
Ficou de lembrança um baita caroço.


Zuniu, sumiu no espaço
A pernilonga que não matei.
A caça ao bicho me deu um cansaço...


Não posso dormir,
Lá vem uma outra me atazanar.
Melhor nem sentir!


Grota do Junco, Fevereiro de 2010

22/05/2011

Progressão Binária


O país é uma potência
Sim ou não
Progrediu com a violência
Sim ou não
Pior mesmo é no Japão
Sim ou não
Com a contaminação
Sim ou não
Morrem no oriente médio
Sim ou não
Eu aqui morro de tédio
Sim ou não
To ganhando muita grana
Sim ou não
Pra comprar carro bacana
Sim ou não
Já não fumo mais cigarro
Sim ou não
Como jovens no meu carro
Sim ou não
Meninas somem na estrada
Sim ou não
Gays são mortos na calçada
Sim ou não
Isto sim é que é progresso
Sim ou não
Ou seria retrocesso?
(Sim ou não?)

Cunha, abril de 2011



22/02/2011

O burrinho Moreno


Num dia pequeno nasceu o burrinho
Que se chamava Moreno.
Nasceu como o dia,
Pequeno.


Perninhas curtas, fininhas,
Pra que serviria o Moreno?


Na roça cresceu o burrinho,
No lombo a cangalha, o jacá.
Miudinho era o Moreno.


Milho, madeira, palanque de cerca,
Leite e queijo, roupa suja,
Pinhas, pinhas e mais pinhas,
Carregado ia e vinha.


Esperto e desconfiado,
Tinha lá suas manias.
Maria levava o Moreno,
Moreno levava a Maria.


Maus tratos nas mãos dos outros,
Chingamento e pancadaria,
Só a Maria não batia.
Falava a Maria com ele
E a Maria ele entendia.


Morreu sozinho no mato:
Foi de dor, foi de cansaço?
Foi de noite?
Foi de dia?


Pro céu dos burros se foi,
Lá está a carregar
A lua e as estrelinhas.


Morreu o Moreno, morreu,
O burrinho que sabia.

Grota do Junco. Fevereiro de 2011

28/10/2010

Natureza morta

O elo que um dia

me unia ao universo,
sem que eu notasse ou quisesse
por minha mão se rompeu.


Então inventei
a palavra natureza:
fora de mim,
de mim mesma separada.


Aprendi a me dar preço,
aprendi a quebrar laços,
aprendi a ver só o avesso,
aprendi a contar um a um os meus pedaços.


A soma porem saiu torta,
virou por milagre um só retrato:
natureza minha,
natureza morta.


Viena, outubro de 2010

22/09/2010

Retrato da seca

Movendo-se lentamente morro acima,
Pastam a vaca, o cavalo e o boi.
Passam pássaros sobre árvores,
Correm cobras na grama seca.


A cor do pasto amarela,
Patas se arrastam cansadas.
Água lá embaixo tiquinha,
Rio que era sumiu.


O céu tão azul, lindo, lindo,
O sol neste inverno impera.
Fogo no pasto começa,
Fogo na mata se alastra.


Gente correndo, batendo,
Roçando, cortando, suando,
O fogo nos olhos vermelhos,
Cansaço nas pernas,
Feridas as mãos.

Retrato da seca na roça.

Entre Cunha e Viena, setembro de 2010

11/09/2010

O enterro

O enterro passou atrapalhando o trânsito,
                              Ave Maria cheia de graça
Três horas da tarde, na hora do jogo.
                              O senhor é convosco
Parei o meu carro bufando de raiva,
                              Bendita sois voz entre as mulheres
Pensando na perda de muitos minutos.
                              Bendito o fruto do vosso ventre
Olhei o cortejo descendo a avenida,
                              Jesus!
Caixão estreitinho, coroa barata.
                              Santa Maria mãe de Deus
Seguindo a pé um miúdo de gente,
                              Rogai por nós pecadoras
Solenes sapatos raspando o asfalto.
                              Agora e na hora da nossa morte
Sem pompas, sem glórias, travando o caminho.
                              Amen!
E eu apressada!
E eu apressada.

Cunha, fevereiro de 2010

07/08/2010

Poeminha pra esquentá o friu


Cunha está cheia de carros de fora,
Vamos ganhar nossa grana agora!


Os carros de fora atravancam a praça,
A gente de Cunha olha a cena, e passa.

Restôs e bistrôs se alastram ao léu
Os preços sobem e alcançam o céu.


Cinema já temos, lindo de morrer,
Já vem programado pra ninguém ver.


Que bom, que bom, o cult chegou,
É a nova cultura que o vento levou.

Cunha, 07.08.2010

31/07/2010

Ansiedade

O coração desgoverna as batidas.
Bumba no peito, meu boi!
Bum bum cabum, bum cabum, cabum bum bum, pacabum.

A hora não passa, empaca o relógio.
Do quarto pra sala, da sala pro quarto,
Pem, pem, bate o sangue no miolo.
Monjolo incessante, nem milho, nem café.
Veloz corre o pensamento, fagulhas.
Fogo bravo, lenha seca, labaredas.

E o sossego dos outros!
A lentidão!
Lesmas escorregando no assoalho liso.
A vida parou?
Ou já passou?


Grota do Junco, Abril de 2010

29/05/2010

A ferida


Tia Mariana tem uma ferida.
É na perna, é feia, é profunda, é doída.
E ela anda ainda: pequena, franzina, um pouco encolhida.


À noite enrola a gaze pra proteger a ferida.
De dia me mostra a perna azulada, a pele um agreste ressequido.


Enquanto ela despe a ferida, meu corpo se assusta.
De dentro de mim vem o enjôo, o pânico, a ira.
Aquele buraco na perna é como uma boca que suga,
O sexo que morre, o fundo do abismo.


Cerro os dentes, engulo a saliva e olho:
No fundo do poço, na perna magrinha
A ferida escura, o Alien da roça, grudado na pele,
Cresce, se alastra e se alimenta de Tia Mariana.

Paraibuna, Maio de 2010

15/05/2010

Estúpida e arrogante

Estúpida e arrogante,
Andou sobre mim
Com patas de elefante.


Bonita e maldosa,
Contou sobre mim
Um monte de prosa.

Maluca e sem jeito,
Encontrou em mim
O alvo perfeito.


Mulher infeliz,
Abusou de mim,
Escapei por um triz.

Viena, julho 2009

23/04/2010

A louca

Nos dias de sol ela lavava roupa,
Nos dias de chuva cuidava da horta,
Nas noites de frio sonhava com a outra.

Era louca e vivia bem,
Era a louca.


Nas noites de lua urrava de dor,
Nas trilhas escuras perdia o caminho.


Era a louca,
Era a outra.

Grota do Junco, fevereiro de 2010

09/04/2010

Meditação – o verbo

Eu medito,
Tu meditas
Ela medita.
Nós meditamos,
Elas meditam.


Eu me ditava,
Tu te ditavas,
Ela se ditava.
Nós nos ditávamos
E éramos felizes.
Elas nos ditavam
E assim nos calaram.
Cunha, abril de 2010

29/03/2010

Indecisão

Se estou com esta,
Quero a outra.

Se me dou bem com esta,
Dou-me todinha à outra.

Se falo muito com esta,
Me calo pasmada com a outra.

Se como delícias com esta,
Me como todinha com a outra.

Se olho nos olhos desta,
Me perco nos olhos da outra.

Se sonho coisas com esta,
Me enrosco nos sonhos da outra.

Se faço um trato com esta,
Desfaço tudo com a outra.

Se levo a vida com esta,
A vida me leva pra outra.

Grota do Junco, março de 2010

25/03/2010

Silencio



Silencio doce desce sobre o mundo
Quando - nesta lingua em que falo -
Trago de dentro um suspiro fundo
E compreendida me calo.


O vôo da voz cortado,
Restam os ruídos soltos:
O grito no lugar errado,
O sussurro saindo torto.


Silencio doce desce sobre o mundo
Quando o dia ainda escuro
E o som dos bichos não veio,
E o despertar é tão duro.


Grota do Junco, outubro 2009

01/03/2010

Prece

Ai, Senhor,
Que aqui me vês -
Ou não?


Por crer não cortei o cabelo,
Por crer usei saia comprida.
Por crer atei bem o novelo
Que prende em mim minha vida.


Ai, Senhor!
Se não fores,
O que será de mim?

Terminal Rodoviário do Tietê, fevereiro 2010
O que é que Cunha precisa?

O que é que Cunha precisa?
Criar vergonha e suar a camisa.

O que é que Cunha quer?
Falar de homem e transar com mulher.

O que é que Cunha sente?
Falta de idéias e a cabeça quente.

O que é que Cunha seria?
Um mar praguejado de calmaria.

O que Cunha precisa
É cair no samba,
levantar poeira,
deitar pra rolar
e não reclamar.

Grota do Junco, janeiro de 2010
Cinco centavos

O homem passando derrubou a moeda.
Era tiquinha, a moedinha,
Nem dez centavos valia.

Avisar, avisei:
“Olha, moço, derrubou a moeda!”

De vergonha talvez de ir-se embora
Sem ligar pra coisa tão pouquinha,
O moço voltou e falou:
“Opa, moedinha danada, vem cá!”
E assim ela foi, carregada pela mão do moço.

Só cinco centavos valia, a moedinha.


Terminal Rodoviário do Tietê, fevereiro 2010
A crente e a freirinha

A freirinha de cinza
Senta-se ao lado da crente
De olhos verdes e cabelos longos,
Amarrados.


O rosário pendurado no peito da freirinha,
Lá fica, quieto.


A crente provoca a freirinha
Citando Herodes na bíblia,
A freirinha quieta.
Religião demais, o santo desconfia.

Terminal Rodoviário do Tietê, fev. 2010

29/01/2010

Aterrisagem

Aqui do céu
Tudo é plano – colchão de nuvens,
Luz do sol avermelhando o horizonte.
De repente o mergulho, a visão da terra:
Tapetes verdes, quadriculados, habitações,
Os rios, as estradas, os carros,
A vida humana pulsando,
Seguindo seu próprio ritmo.


Aqui do céu
A bordo do Boeing -
Vejo a Dutra rolar lá embaixo.
Tráfego intenso, formigas correndo,
Seguindo as setas, os rumos:
Direção norte, direção sul,
Qual a diferença?

Realidade engolindo sonhos
Aterrisagem
Recomeço

Voando sobre São Paulo, setembro 2009

13/01/2010

Enchente

A água caiu no bairro do Paraibuna.
Era o fim do ano e o começo do ano.
A água não sabia quando parar:
No fim, ou no começo?
Confusa, continuou a cair.

Com ela caíram as pontes, os barrancos e as casas que estavam em baixo dos barrancos.
Nativos ficaram olhando, recolhendo a mobília, mudando, contando.
Forasteiros pularam pra dentro dos 4x4 e se foram.
O bairro está quieto.
Barulhinho de uma moto, um fusquinha.
Vozes na estrada, cascos de cavalo.

Cadê os carrões?

Bairro do Paraibuna 31.12. 2009/01.01.2010
Cunha Grisalha

Cunha às cinco e meia da tarde,
Um espichar de luzes e cores,
Cidade-mistério – olhando um futuro distante.
Dulce Maia!
Quantas Dulces seremos?
Já a cidade está salpicada de cabelos brancos.
A sombra

Eu sonho,
E no meu sonho
Uma sombra estranha
Envolta em brumas, tortas raízes,
Em negra lama se esconde.


É um vulto que desliza,
Um sopro, o roçar da brisa
No meio da noite escura.
Grota do junco, 2008

26/12/2009

Capital



Tem sol e chuva em São Paulo.
Tem feira livre nas ruas
E um povo que não conheço.
Tem barulho e tem luar,
Tem vento assoviando entre os prédios,
Tem muita gente comendo
E bebendo muita cerveja,
Mas não podem mais fumar –
O que é uma pena.


Gosto de cheiros em geral.

  Sampa, novembro de 2009

18/12/2009

Sem braço

A velhinha de branco caminha na praça
E só tem um braço.
Onde o outro seria, esvoaça a manga da blusa,
Despregada.

A ausência do braço deu à velhinha
Um andarzinho torto, envergado.
Anda tortinha a velhinha, olhando para o lado,
Como se estivesse à procura
Do braço cortado.

A praça encosta-se à porta da igreja
E ali fica, à espera de quem passa.
No céu, onde o sol seria,
Voam nuvens escuras, carregadas.

A manga leve e vazia,
Passinhos miúdos, olhar de cansaço,
Atravessa a praça a velhinha

Que ainda tem o outro braço.

Cunha, novembro 2009

28/11/2009

Amor animal

A galinha correu,
O galo voou.
A galinha parou,
O galo alcançou.
A galinha arrepiou,
O galo montou.
A galinha gostou?

A galinha botou,
O galo cantou.


Grota do Junco, outubro de 2009

Vôo livre

A ave que não sabia
Em que galho pousaria,
Ficou no céu a voar.

O corpinho tão pequeno,
Umas asinhas assim -
Seguindo um vento ameno,
O voar não tinha fim.

A noite, porém, foi chegando
E do luar já se via
A luz se esparramando.

Avezinha, avezinha,
Que nenhum galho queria.
Pousou no céu que se abria
Pra recolher sua vidinha.


novembro 2009, para Diana Voigt
in memoriam

24/10/2009

Feijoada de sábado

Hoje, de relance, vi o seu rosto
Naquele restaurante de esquina,
Muito badalado.
E você olhando de lado,
Ah, olhando de lado...

Foi apenas um instante
A visão do restaurante
Lotado,
Ah, muito lotado.

Se eu ficasse ali parada
Prá ver se você me via,
Um cardápio alguém traria.
E eu que fome não tinha,
Ia pedir feijoada,
Ah, ia pedir feijoada.

Ia ficar bem sem graça,
Me enroscar no tira-gosto,
Ler o menu todo errado.
(E o seu gosto é delicado,
Ah, ele é muito delicado.)

Só que passei ligeirinha,
E o restaurante famoso
Que nem feijoada tinha,
Engoliu na sombra o seu rosto
E a vergonha que era minha.


Cunha, 24.10.2009

26/08/2009





Curva de Rio

O bairro do Paraibuna
É igual curva de rio
A tranqueira aqui se encalha,
Livrar dela é um desafio.

Gente cheia de malicia,
Contando papo furado,
Ou fugindo da policia
Ou de amor desenganado,

Gente sofrendo do juízo,
Todos param por aquí,
Em busca do paraíso
Que eu achei e já perdi.

Gente com o pé na cova
Sem ter onde cair morto,
Chega aqui e já é prova
Que o direito acaba torto.

Gente que se atrapalha
E arma encrenca demais,
Que só é fogo de palha,
Um pé na frente e outro atrás.

Gente falando grosso,
Contando papo a valer
Com o laço no pescoço
Vive no bar a beber.

Sai assim cruzando as pernas,
Errando o caminho da casa.
Se mete em muitas badernas,
É passarinho sem asa.

Ir se embora não tem jeito
Se mudar não dá mais pé
Só dá pra esquentar o peito
Bebendo pinga com “mé”.


Fevereiro de 2007

Berne na cabeça

me deu berne na cabeça,
deu cocera no suvaco
devagá, sem muita pressa,
tô saindo do buraco.

as vaca mugi distante,
os cavalo faiz baruio.
sofrimento foi bastante,
quem amei foi um baguio.

13.05.2008

25/07/2009


Sábado de Aleluia

Os tições estralam no fogo aceso
Que tenta tirar a frieza do dia –
E frio ele está, assim neblinoso,
Ainda confuso, não sabe se abre
Espaço pro sol, ou fecha e se encolhe
À espera da chuva.

Ah, dia estranho, aqui me coloco
À tua procura –
Se abres, morro de felicidade,
Se fechas, me enrolo e me perco no escuro.

Podia ter sido assim diferente?
O começo de um caso
Ou o fim de um futuro?

Estrala no fogo tiçãozinho aceso,
Me acorda e me abre,
Me salva do medo.

Abril de 2006

05/07/2009



Pegadinha boba

Peguei o carro e saí,
Passei no sinal errado.
Me arrisquei, quase morri,
Sem pensar no resultado.

Besteiras se fazem aos montes,
O certo está definhando.
As águas não morrem nas fontes,
Meu corpo está congelando.

Se morri foi porque quis,
Se vivi foi por paixão.
Já quebrei o meu nariz
Mas mantive o coração

Viena, 20.06.2009