Ficarei em silencio até que soe o final dos meus tempos.
E sendo eu assim uma única, e por si só apenas divisível,
Não deixarei nem pedaços de mim, ou vestígios ou somas minhas espalhadas...
Passarei cega, surda e muda pelos campos ressecados destes morros,
Rios secos, grotas mortas e assombradas.
No prelúdio do desastre amplamente ignorado,
Soarei imperiosa e arrogante uma trombeta
E serei cavaleira de apocalipses insanos.
Aonde ainda houver águas agitadas,
Sem pés, sem sapatos, trilharei o obscuro caminho.
Em sentido contrario a loucura
De um dia quente e presente,
Em frente à Igreja,
Ao lado do banco,
Atrás da cascata,
No ponto que é livre pra vaga do idoso,
Em Cunha, minha gente, por tudo e por nada,
Meu fim da picada.
Cunha, 09.01.2026

