11 de fev. de 2026

Preludio

Ficarei em silencio até que soe o final dos meus tempos.

E sendo eu assim uma única, e por si só apenas divisível,

Não deixarei nem pedaços de mim, ou vestígios ou somas minhas espalhadas...

Passarei cega, surda e muda pelos campos ressecados destes morros,

Rios secos, grotas mortas e assombradas.

 

No prelúdio do desastre amplamente ignorado,

Soarei imperiosa e arrogante uma trombeta

E serei cavaleira de apocalipses insanos.

 

Aonde ainda houver águas agitadas,

Sem pés, sem sapatos, trilharei o obscuro caminho.

Em sentido contrario a loucura

De um dia quente e presente,

Em frente à Igreja,

Ao lado do banco,

Atrás da cascata,

No ponto que é livre pra vaga do idoso,

Em Cunha, minha gente, por tudo e por nada,

Meu fim da picada.

 

Cunha, 09.01.2026