18 de dez de 2009

Sem braço

A velhinha de branco caminha na praça
E só tem um braço.
Onde o outro seria, esvoaça a manga da blusa,
Despregada.

A ausência do braço deu à velhinha
Um andarzinho torto, envergado.
Anda tortinha a velhinha, olhando para o lado,
Como se estivesse à procura
Do braço cortado.

A praça encosta-se à porta da igreja
E ali fica, à espera de quem passa.
No céu, onde o sol seria,
Voam nuvens escuras, carregadas.

A manga leve e vazia,
Passinhos miúdos, olhar de cansaço,
Atravessa a praça a velhinha

Que ainda tem o outro braço.

Cunha, novembro 2009

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