19 de ago. de 2017
Filo-lab I - A Ética
A ética bateu no último obstáculo
E caiu estatelada no ridículo.
Rodou perdida em situação crítica
E se afundou em céticas tiradas.
Sem óculos e sem tato,
Esbarrou na ótica sêmica
[muito semi e pouco ótica]
Meio cega, meio idiota.
A ética - caótica, covarde e cínica -
Fechou o dialogo
E fingiu abalo sísmico.
dedicado aos "dias de hoje" ..... e de sempre
Grota do Junco, Julho de 2017
6 de out. de 2015
Então...
Viver é ir
esperando por milagres…
E milagre é
tudo o que está além do possível.
Então,
viver é esperar pelo impossível.
Se deixarmos
de esperar pelo impossível, morremos?
Viena, setembro de 2015
29 de jul. de 2015
Um pedido
Vem, senta neste banco,
Pega seu cigarrinho de palha,
Olha bem para nós,
Conta-nos uma história.
Conta sobre o que é
E o que não é,
A sua verdade e a sua mentira.
Descansa seu olhar sobre nossos corpos
Velhos, brancos, flácidos e frios
E deixa-nos sonhar que somos,
Ainda que não queiramos,
Seres civilizados.
sem data
Pega seu cigarrinho de palha,
Olha bem para nós,
Conta-nos uma história.
Conta sobre o que é
E o que não é,
A sua verdade e a sua mentira.
Descansa seu olhar sobre nossos corpos
Velhos, brancos, flácidos e frios
E deixa-nos sonhar que somos,
Ainda que não queiramos,
Seres civilizados.
sem data
8 de jun. de 2015
Boat People (A Game of Mirrors)
Am I what
they are not?
And what if I am,
Who cares?
And what if I am,
Who cares?
Here I am
one of them.
Above or under water,
They are none but me.
And I don’t know how to swim…
Above or under water,
They are none but me.
And I don’t know how to swim…
Why the water,
why the sea?
Not enough of what I see:
Rape, shots and robbery.
Not enough of what I see:
Rape, shots and robbery.
When they
came did I ask
“What is mine, dear Sir?
Tell me now: what is yours?”
A piece of land, a precious stone, dark oil, hard wood –
Belonging to you, belonging to me?
“What is mine, dear Sir?
Tell me now: what is yours?”
A piece of land, a precious stone, dark oil, hard wood –
Belonging to you, belonging to me?
Look,
look!
They brought to us:
Mirrors, diseases and hand-me-downs.
Rifle in hand, foot of steel, here they are
And have always been.
A WILL like theirs is not my will.
What do I know?
And still…
They brought to us:
Mirrors, diseases and hand-me-downs.
Rifle in hand, foot of steel, here they are
And have always been.
A WILL like theirs is not my will.
What do I know?
And still…
Arms and
legs and head and feet,
Here is the water,
My body just sinks.
Deep down, deep down, is there a THERE which is mine, which is yours?
Here is the water,
My body just sinks.
Deep down, deep down, is there a THERE which is mine, which is yours?
I want to
go where they came from
I WANT TO GO WHERE THEY CAME FROM!
I WANT TO GO WHERE THEY CAME FROM!
Vienna, June 8th 2015
1 de set. de 2014
Paradoxo
Nunca estou aonde
estou,
Nunca penso o que
eu penso.
Nunca sinto o que eu
sinto,
Nunca posso o que
eu posso.
No silencio do
tumulto
Vozes voam pelo espaço.
Sons perdidos, tudo
escuro,
Nunca faço o que eu
faço.
Fico aqui no meu silencio,
Uma dor abrindo os
olhos.
Penso nunca no que
penso,
Fecho o corpo e me
recolho.
Assim em você pensando,
Vou seguindo um
paradoxo:
Penso em mim, em você
penso,
Nesta estrada sem espaço.
Não procuro o que
procuro,
Nunca acho o que eu
acho.
Viena, agosto de
2014
29 de jan. de 2014
Curriculum Vitae
Já me fiz muitas perguntas,
Já me fabriquei respostas.
Já me fabriquei respostas.
Entreti gente bonita,
Pra outras virei as costas.
Passei tempo com os ricos,
De meus pobres nem lembrança.
Sonhando vida infinita,
Vou morrer sendo criança.
Feri gente, bicho e planta,
Amassei graminha nova.
Fiz dinheiro à custa tanta,
Versos bobos, rimas obvias.
Igual larva no casulo
Me enrosco e fico escondida.
Um sobressalto, um pulo,
E lá se foi minha vida.
Grota do Junco, Janeiro de 2014
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