A pernilonga picou meu pescoço,
Dei tapa ligeiro, mas ela sumiu.
Ficou de lembrança um baita caroço.
Zuniu, sumiu no espaço
A pernilonga que não matei.
A caça ao bicho me deu um cansaço...
Não posso dormir,
Lá vem uma outra me atazanar.
Melhor nem sentir!
Grota do Junco, Fevereiro de 2010
8 de jun. de 2011
22 de mai. de 2011
Progressão Binária
O país é uma potência
Sim ou não
Progrediu com a violência
Sim ou não
Pior mesmo é no Japão
Sim ou não
Com a contaminação
Sim ou não
Morrem no oriente médio
Sim ou não
Eu aqui morro de tédio
Sim ou não
To ganhando muita grana
Sim ou não
Pra comprar carro bacana
Sim ou não
Já não fumo mais cigarro
Sim ou não
Como jovens no meu carro
Sim ou não
Meninas somem na estrada
Sim ou não
Gays são mortos na calçada
Sim ou não
Isto sim é que é progresso
Sim ou não
Ou seria retrocesso?
(Sim ou não?)
Cunha, abril de 2011
Sim ou não
Progrediu com a violência
Sim ou não
Pior mesmo é no Japão
Sim ou não
Com a contaminação
Sim ou não
Morrem no oriente médio
Sim ou não
Eu aqui morro de tédio
Sim ou não
To ganhando muita grana
Sim ou não
Pra comprar carro bacana
Sim ou não
Já não fumo mais cigarro
Sim ou não
Como jovens no meu carro
Sim ou não
Meninas somem na estrada
Sim ou não
Gays são mortos na calçada
Sim ou não
Isto sim é que é progresso
Sim ou não
Ou seria retrocesso?
(Sim ou não?)
Cunha, abril de 2011
22 de fev. de 2011
O burrinho Moreno
Num dia pequeno nasceu o burrinho
Que se chamava Moreno.
Nasceu como o dia,
Pequeno.
Perninhas curtas, fininhas,
Pra que serviria o Moreno?
Na roça cresceu o burrinho,
No lombo a cangalha, o jacá.
Miudinho era o Moreno.
Milho, madeira, palanque de cerca,
Leite e queijo, roupa suja,
Pinhas, pinhas e mais pinhas,
Carregado ia e vinha.
Esperto e desconfiado,
Tinha lá suas manias.
Maria levava o Moreno,
Moreno levava a Maria.
Maus tratos nas mãos dos outros,
Chingamento e pancadaria,
Só a Maria não batia.
Falava a Maria com ele
E a Maria ele entendia.
Morreu sozinho no mato:
Foi de dor, foi de cansaço?
Foi de noite?
Foi de dia?
Pro céu dos burros se foi,
Lá está a carregar
A lua e as estrelinhas.
Morreu o Moreno, morreu,
O burrinho que sabia.
Grota do Junco. Fevereiro de 2011
Que se chamava Moreno.
Nasceu como o dia,
Pequeno.
Perninhas curtas, fininhas,
Pra que serviria o Moreno?
Na roça cresceu o burrinho,
No lombo a cangalha, o jacá.
Miudinho era o Moreno.
Milho, madeira, palanque de cerca,
Leite e queijo, roupa suja,
Pinhas, pinhas e mais pinhas,
Carregado ia e vinha.
Esperto e desconfiado,
Tinha lá suas manias.
Maria levava o Moreno,
Moreno levava a Maria.
Maus tratos nas mãos dos outros,
Chingamento e pancadaria,
Só a Maria não batia.
Falava a Maria com ele
E a Maria ele entendia.
Morreu sozinho no mato:
Foi de dor, foi de cansaço?
Foi de noite?
Foi de dia?
Pro céu dos burros se foi,
Lá está a carregar
A lua e as estrelinhas.
Morreu o Moreno, morreu,
O burrinho que sabia.
Grota do Junco. Fevereiro de 2011
28 de out. de 2010
Natureza Morta
O elo que um dia
me unia ao universo,
sem que eu notasse ou quisesse
por minha mão se rompeu.
Então inventei
a palavra natureza:
fora de mim,
de mim mesma separada.
Aprendi a me dar preço,
aprendi a quebrar laços,
aprendi a ver só o avesso,
aprendi a contar um a um os meus pedaços.
A soma porem saiu torta,
virou por milagre um só retrato:
natureza minha,
natureza morta.
Viena, outubro de 2010
me unia ao universo,
sem que eu notasse ou quisesse
por minha mão se rompeu.
Então inventei
a palavra natureza:
fora de mim,
de mim mesma separada.
Aprendi a me dar preço,
aprendi a quebrar laços,
aprendi a ver só o avesso,
aprendi a contar um a um os meus pedaços.
A soma porem saiu torta,
virou por milagre um só retrato:
natureza minha,
natureza morta.
Viena, outubro de 2010
22 de set. de 2010
Retrato da seca
Movendo-se lentamente morro acima,
Pastam a vaca, o cavalo e o boi.
Passam pássaros sobre árvores,
Correm cobras na grama seca.
A cor do pasto amarela,
Patas se arrastam cansadas.
Água lá embaixo tiquinha,
Rio que era sumiu.
O céu tão azul, lindo, lindo,
O sol neste inverno impera.
Fogo no pasto começa,
Fogo na mata se alastra.
Gente correndo, batendo,
Roçando, cortando, suando,
O fogo nos olhos vermelhos,
Cansaço nas pernas,
Feridas as mãos.
Retrato da seca na roça.
Entre Cunha e Viena, setembro de 2010
Pastam a vaca, o cavalo e o boi.
Passam pássaros sobre árvores,
Correm cobras na grama seca.
A cor do pasto amarela,
Patas se arrastam cansadas.
Água lá embaixo tiquinha,
Rio que era sumiu.
O céu tão azul, lindo, lindo,
O sol neste inverno impera.
Fogo no pasto começa,
Fogo na mata se alastra.
Gente correndo, batendo,
Roçando, cortando, suando,
O fogo nos olhos vermelhos,
Cansaço nas pernas,
Feridas as mãos.
Retrato da seca na roça.
Entre Cunha e Viena, setembro de 2010
11 de set. de 2010
O enterro
O enterro passou atrapalhando o trânsito,
Ave Maria cheia de graça
Três horas da tarde, na hora do jogo.
O senhor é convosco
Parei o meu carro bufando de raiva,
Bendita sois voz entre as mulheres
Pensando na perda de muitos minutos.
Bendito o fruto do vosso ventre
Olhei o cortejo descendo a avenida,
Jesus!
Caixão estreitinho, coroa barata.
Santa Maria mãe de Deus
Seguindo a pé um miúdo de gente,
Rogai por nós pecadoras
Solenes sapatos raspando o asfalto.
Agora e na hora da nossa morte
Sem pompas, sem glórias, travando o caminho.
Amen!
E eu apressada!
E eu apressada.
Cunha, fevereiro de 2010
Ave Maria cheia de graça
Três horas da tarde, na hora do jogo.
O senhor é convosco
Parei o meu carro bufando de raiva,
Bendita sois voz entre as mulheres
Pensando na perda de muitos minutos.
Bendito o fruto do vosso ventre
Olhei o cortejo descendo a avenida,
Jesus!
Caixão estreitinho, coroa barata.
Santa Maria mãe de Deus
Seguindo a pé um miúdo de gente,
Rogai por nós pecadoras
Solenes sapatos raspando o asfalto.
Agora e na hora da nossa morte
Sem pompas, sem glórias, travando o caminho.
Amen!
E eu apressada!
E eu apressada.
Cunha, fevereiro de 2010
7 de ago. de 2010
Poeminha pra esquentá o friu
Cunha está cheia de carros de fora,
Vamos ganhar nossa grana agora!
Os carros de fora atravancam a praça,
A gente de Cunha olha a cena, e passa.
Restôs e bistrôs se alastram ao léu
Os preços sobem e alcançam o céu.
Cinema já temos, lindo de morrer,
Já vem programado pra ninguém ver.
Que bom, que bom, o cult chegou,
É a nova cultura que o vento levou.
Cunha, 07.08.2010
Vamos ganhar nossa grana agora!
Os carros de fora atravancam a praça,
A gente de Cunha olha a cena, e passa.
Restôs e bistrôs se alastram ao léu
Os preços sobem e alcançam o céu.
Cinema já temos, lindo de morrer,
Já vem programado pra ninguém ver.
Que bom, que bom, o cult chegou,
É a nova cultura que o vento levou.
Cunha, 07.08.2010
31 de jul. de 2010
Ansiedade
O coração desgoverna as batidas.
Bumba no peito, meu boi!
Bum bum cabum, bum cabum, cabum bum bum, pacabum.
A hora não passa, empaca o relógio.
Do quarto pra sala, da sala pro quarto,
Pem, pem, bate o sangue no miolo.
Monjolo incessante, nem milho, nem café.
Veloz corre o pensamento, fagulhas.
Fogo bravo, lenha seca, labaredas.
E o sossego dos outros!
A lentidão!
Lesmas escorregando no assoalho liso.
A vida parou?
Ou já passou?
Grota do Junco, Abril de 2010
Bumba no peito, meu boi!
Bum bum cabum, bum cabum, cabum bum bum, pacabum.
A hora não passa, empaca o relógio.
Do quarto pra sala, da sala pro quarto,
Pem, pem, bate o sangue no miolo.
Monjolo incessante, nem milho, nem café.
Veloz corre o pensamento, fagulhas.
Fogo bravo, lenha seca, labaredas.
E o sossego dos outros!
A lentidão!
Lesmas escorregando no assoalho liso.
A vida parou?
Ou já passou?
Grota do Junco, Abril de 2010
29 de mai. de 2010
A ferida
Tia Mariana tem uma ferida.
É na perna, é feia, é profunda, é doída.
E ela anda ainda: pequena, franzina, um pouco encolhida.
À noite enrola a gaze pra proteger a ferida.
De dia me mostra a perna azulada, a pele um agreste ressequido.
Enquanto ela despe a ferida, meu corpo se assusta.
De dentro de mim vem o enjôo, o pânico, a ira.
Aquele buraco na perna é como uma boca que suga,
O sexo que morre, o fundo do abismo.
Cerro os dentes, engulo a saliva e olho:
No fundo do poço, na perna magrinha
A ferida escura, o Alien da roça, grudado na pele,
Cresce, se alastra e se alimenta de Tia Mariana.
Paraibuna, Maio de 2010
É na perna, é feia, é profunda, é doída.
E ela anda ainda: pequena, franzina, um pouco encolhida.
À noite enrola a gaze pra proteger a ferida.
De dia me mostra a perna azulada, a pele um agreste ressequido.
Enquanto ela despe a ferida, meu corpo se assusta.
De dentro de mim vem o enjôo, o pânico, a ira.
Aquele buraco na perna é como uma boca que suga,
O sexo que morre, o fundo do abismo.
Cerro os dentes, engulo a saliva e olho:
No fundo do poço, na perna magrinha
A ferida escura, o Alien da roça, grudado na pele,
Cresce, se alastra e se alimenta de Tia Mariana.
Paraibuna, Maio de 2010
15 de mai. de 2010
Estúpida e arrogante
Estúpida e arrogante,
Andou sobre mim
Com patas de elefante.
Bonita e maldosa,
Contou sobre mim
Um monte de prosa.
Maluca e sem jeito,
Encontrou em mim
O alvo perfeito.
Mulher infeliz,
Abusou de mim,
Escapei por um triz.
Viena, julho 2009
Andou sobre mim
Com patas de elefante.
Bonita e maldosa,
Contou sobre mim
Um monte de prosa.
Maluca e sem jeito,
Encontrou em mim
O alvo perfeito.
Mulher infeliz,
Abusou de mim,
Escapei por um triz.
Viena, julho 2009
23 de abr. de 2010
A louca
Nos dias de sol ela lavava roupa,
Nos dias de chuva cuidava da horta,
Nas noites de frio sonhava com a outra.
Era louca e vivia bem,
Era a louca.
Nas noites de lua urrava de dor,
Nas trilhas escuras perdia o caminho.
Era a louca,
Era a outra.
Grota do Junco, fevereiro de 2010
Nos dias de chuva cuidava da horta,
Nas noites de frio sonhava com a outra.
Era louca e vivia bem,
Era a louca.
Nas noites de lua urrava de dor,
Nas trilhas escuras perdia o caminho.
Era a louca,
Era a outra.
Grota do Junco, fevereiro de 2010
9 de abr. de 2010
Meditação – o verbo
Eu medito,
Tu meditas
Ela medita.
Nós meditamos,
Elas meditam.
Eu me ditava,
Tu te ditavas,
Ela se ditava.
Nós nos ditávamos
E éramos felizes.
Elas nos ditaram
E assim nos calaram.
Cunha, abril de 2010
Tu meditas
Ela medita.
Nós meditamos,
Elas meditam.
Eu me ditava,
Tu te ditavas,
Ela se ditava.
Nós nos ditávamos
E éramos felizes.
Elas nos ditaram
E assim nos calaram.
Cunha, abril de 2010
29 de mar. de 2010
Indecisão
Se estou com esta,
Quero a outra.
Se me dou bem com esta,
Dou-me todinha à outra.
Se falo muito com esta,
Me calo pasmada com a outra.
Se como delícias com esta,
Me como todinha com a outra.
Se olho nos olhos desta,
Me perco nos olhos da outra.
Se sonho coisas com esta,
Me enrosco nos sonhos da outra.
Se faço um trato com esta,
Desfaço tudo com a outra.
Se levo a vida com esta,
A vida me leva pra outra.
Grota do Junco, março de 2010
Quero a outra.
Se me dou bem com esta,
Dou-me todinha à outra.
Se falo muito com esta,
Me calo pasmada com a outra.
Se como delícias com esta,
Me como todinha com a outra.
Se olho nos olhos desta,
Me perco nos olhos da outra.
Se sonho coisas com esta,
Me enrosco nos sonhos da outra.
Se faço um trato com esta,
Desfaço tudo com a outra.
Se levo a vida com esta,
A vida me leva pra outra.
Grota do Junco, março de 2010
25 de mar. de 2010
Silencio
Silencio doce desce sobre o mundo
Quando - nesta lingua em que falo -
Trago de dentro um suspiro fundo
E compreendida me calo.
O vôo da voz cortado,
Restam os ruídos soltos:
O grito no lugar errado,
O sussurro saindo torto.
Silencio doce desce sobre o mundo
Quando o dia ainda escuro
E o som dos bichos não veio,
E o despertar é tão duro.
Grota do Junco, outubro 2009
Quando - nesta lingua em que falo -
Trago de dentro um suspiro fundo
E compreendida me calo.
O vôo da voz cortado,
Restam os ruídos soltos:
O grito no lugar errado,
O sussurro saindo torto.
Silencio doce desce sobre o mundo
Quando o dia ainda escuro
E o som dos bichos não veio,
E o despertar é tão duro.
Grota do Junco, outubro 2009
1 de mar. de 2010
Prece
Ai, Senhor,
Que aqui me vês -
Ou não?
Por crer não cortei o cabelo,
Por crer usei saia comprida.
Por crer atei bem o novelo
Que prende em mim minha vida.
Ai, Senhor!
Se não fores,
O que será de mim?
Terminal Rodoviário do Tietê, fevereiro 2010
Que aqui me vês -
Ou não?
Por crer não cortei o cabelo,
Por crer usei saia comprida.
Por crer atei bem o novelo
Que prende em mim minha vida.
Ai, Senhor!
Se não fores,
O que será de mim?
Terminal Rodoviário do Tietê, fevereiro 2010
O que é que Cunha precisa?
O que é que Cunha precisa?
Criar vergonha e suar a camisa.
O que é que Cunha quer?
Falar de homem e transar com mulher.
O que é que Cunha sente?
Falta de idéias e a cabeça quente.
O que é que Cunha seria?
Um mar praguejado de calmaria.
O que Cunha precisa
É cair no samba,
levantar poeira,
deitar pra rolar
e não reclamar.
Grota do Junco, janeiro de 2010
Criar vergonha e suar a camisa.
O que é que Cunha quer?
Falar de homem e transar com mulher.
O que é que Cunha sente?
Falta de idéias e a cabeça quente.
O que é que Cunha seria?
Um mar praguejado de calmaria.
O que Cunha precisa
É cair no samba,
levantar poeira,
deitar pra rolar
e não reclamar.
Grota do Junco, janeiro de 2010
Marcadores:
o que é que cunha precisa?
Cinco centavos
O homem passando derrubou a moeda.
Era tiquinha, a moedinha,
Nem dez centavos valia.
Avisar, avisei:
“Olha, moço, derrubou a moeda!”
De vergonha talvez de ir-se embora
Sem ligar pra coisa tão pouquinha,
O moço voltou e falou:
“Opa, moedinha danada, vem cá!”
E assim ela foi, carregada pela mão do moço.
Só cinco centavos valia, a moedinha.
Terminal Rodoviário do Tietê, fevereiro 2010
Era tiquinha, a moedinha,
Nem dez centavos valia.
Avisar, avisei:
“Olha, moço, derrubou a moeda!”
De vergonha talvez de ir-se embora
Sem ligar pra coisa tão pouquinha,
O moço voltou e falou:
“Opa, moedinha danada, vem cá!”
E assim ela foi, carregada pela mão do moço.
Só cinco centavos valia, a moedinha.
Terminal Rodoviário do Tietê, fevereiro 2010
A crente e a freirinha
A freirinha de cinza
Senta-se ao lado da crente
De olhos verdes e cabelos longos,
Amarrados.
O rosário pendurado no peito da freirinha,
Lá fica, parado.
A crente provoca a freirinha
Citando Herodes na bíblia,
A freirinha quieta.
Religião demais, o santo desconfia.
Terminal Rodoviário do Tietê, fev. 2010
Senta-se ao lado da crente
De olhos verdes e cabelos longos,
Amarrados.
O rosário pendurado no peito da freirinha,
Lá fica, parado.
A crente provoca a freirinha
Citando Herodes na bíblia,
A freirinha quieta.
Religião demais, o santo desconfia.
Terminal Rodoviário do Tietê, fev. 2010
29 de jan. de 2010
Aterrisagem
Aqui do céu
Tudo é plano – colchão de nuvens,
Luz do sol avermelhando o horizonte.
De repente o mergulho, a visão da terra:
Tapetes verdes, quadriculados, habitações,
Os rios, as estradas, os carros,
A vida humana pulsando,
Seguindo seu próprio ritmo.
Aqui do céu
A bordo do Boeing -
Vejo a Dutra rolar lá embaixo.
Tráfego intenso, formigas correndo,
Seguindo as setas, os rumos:
Direção norte, direção sul,
Qual a diferença?
Realidade engolindo sonhos
Aterrisagem
Recomeço
Voando sobre São Paulo, setembro 2009
Tudo é plano – colchão de nuvens,
Luz do sol avermelhando o horizonte.
De repente o mergulho, a visão da terra:
Tapetes verdes, quadriculados, habitações,
Os rios, as estradas, os carros,
A vida humana pulsando,
Seguindo seu próprio ritmo.
Aqui do céu
A bordo do Boeing -
Vejo a Dutra rolar lá embaixo.
Tráfego intenso, formigas correndo,
Seguindo as setas, os rumos:
Direção norte, direção sul,
Qual a diferença?
Realidade engolindo sonhos
Aterrisagem
Recomeço
Voando sobre São Paulo, setembro 2009
13 de jan. de 2010
Enchente
A água caiu no bairro do Paraibuna.
Era o fim do ano e o começo do ano.
A água não sabia quando parar:
No fim, ou no começo?
Confusa, continuou a cair.
Com ela caíram as pontes, os barrancos e as casas que estavam em baixo dos barrancos.
Nativos ficaram olhando, recolhendo a mobília, mudando, contando.
Forasteiros pularam pra dentro dos 4x4 e se foram.
O bairro está quieto.
Barulhinho de uma moto, um fusquinha.
Vozes na estrada, cascos de cavalo.
Cadê os carrões?
Bairro do Paraibuna 31.12. 2009/01.01.2010
Era o fim do ano e o começo do ano.
A água não sabia quando parar:
No fim, ou no começo?
Confusa, continuou a cair.
Com ela caíram as pontes, os barrancos e as casas que estavam em baixo dos barrancos.
Nativos ficaram olhando, recolhendo a mobília, mudando, contando.
Forasteiros pularam pra dentro dos 4x4 e se foram.
O bairro está quieto.
Barulhinho de uma moto, um fusquinha.
Vozes na estrada, cascos de cavalo.
Cadê os carrões?
Bairro do Paraibuna 31.12. 2009/01.01.2010
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